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O CORO MAIS ANTIGO DO RS
Publicado em 10/10/2008
Não temos conhecimento de um senso ou pesquisas a respeito dos corais no Brasil que possam concluir sobre aspectos como a trajetória dos corais desde a colonização européia, sua história e seu legado. A atividade coral foi intensa em Minas Gerais , Rio de Janeiro, Bahia e também na região das Missões Jesuíticas no Rio Grande do Sul, por exemplo. Mas o que destas atividades corais permanecem vivas até hoje? Ou, que elementos da atividade coral destes tempos nos influenciam no século XXI?
Mesmo com poucas informações sobre o assunto, se houve falar aqui e ali sobre o coro mais antigo em funcionamento, e começam aparecer nomes e localidades. Há poucos meses estive em um encontro de coros em Lajeado/RS onde se apresentou um coro masculino com mais de cento e vinte anos de atividades. Em Novo Hamburgo há um coro também bastante antigo, na região de Panambi também, e assim nossa curiosidade se aguça em busca de dados concretos sobre o assunto. A região do Vale do Taquari, entre as cidades de Teutônia, Lajeado, Arroio do Meio, Estrela e Bom Retiro, provavelmente está uma das maiores concentrações de corais do mundo, se considerado o número de coros por habitante. Em Estrela são cerca de vinte e cinco e Teutônia cerca de cinqüenta coros, só para citar duas cidades pequenas. Também de colonização alemã, já na região da Serra, Nova Petrópolis tem a maior quantidade de corais, em torno de sessenta e cinco!
Até o momento, do que temos conhecimento e acesso aos documentos originais e história comprovada, concluímos que o Coral da Sociedade Santa Cecília da Paróquia de Estrela/RS é o coro mais antigo em atividades ininterruptas no Rio Grande do Sul, e possivelmente em todo o Brasil. Segundo o professor de história do município, Sr. Leônidas Erthal, provavelmente o Coral Santa Cecília é ainda muito mais antigo do que afirma seu estatuto, conclusão que ele tira da análise de outros aspectos da época, que levam a crer que o Coral já estava em pleno funcionamento quando se decidiu organizar numa Sociedade e formalizar com estatutos e documentos, casualmente na mesma época em que se estava fundando a própria cidade de Estrela. Neste ano de 2008 o Coral completou cento e trinta e dois anos de atividades, sobrevivendo a várias gerações, muitas delas conturbadas, como o período das grandes guerras mundiais. Por anos seu regente foi Décio Gauer, com o qual tive a oportunidade de dividir o palco algumas vezes, e hoje seu atual regente é Tiago Garcia.
Transcrevo abaixo um texto do professor Leônidas (que é um grande incentivador e defensor da atividade coral em nosso Estado ) sobre a história do Coral da Sociedade Santa Cecília de Estrela, que muito vem nos elucidar. Para quem tiver interesse, neste endereço da internet tem uma lista (já desatualizada) dos corais do Vale do Taquari, com alguns detalhes e contatos:
http://www.portaldoagrovt.com.br/cultura/corais_no_vale_do_taquari.pdf
Saudações,
Marcio Buzatto
Compositor e regente
Coordenador do Departamento de Regentes
da FECORS
Sociedade Santa Cecília da Paróquia de Estrela/RS
Provavelmente a Sociedade Santa Cecília da Paróquia de Santo Antônio em Estrela/RS, é a sociedade mais antiga em atividade desde a fundação até os dias de hoje no Estado do Rio Grande do Sul.
Em 25 de abril de 1876, setenta e dois paroquianos, juntamente com o Vigário Padre Francisco Schleipen, quando Estrela ainda pertencia ao município de Taquari, criaram a Sociedade Santa Cecília, cujo motivo fundamental era fazer um coral aos moldes dos Corais Cecilianos Universais, fundados com a permissão dos bispos alemães, principalmente para “incrementar um canto digno de Igreja para a maior honra de Deus e a misericórdia dos crentes”. Assim reza o primeiro artigo dos estatutos originais manuscritos em língua alemã de estilo gótico.
O estatuto original era formado de treze artigos e foi assinado pelos sócios fundadores. Na época, os sócios determinaram que a diretoria seria formada por um presidente – que sempre era o Padre Vigário –, um vice-presidente, um secretário e um tesoureiro eleitos entre os sócios por um período de dois anos. As assembléias eram mensais, o novo sócio para ser admitido devia ter conduta exemplar em primeiro lugar, ser proposto por um sócio efetivo, ser aprovado em assembléia geral por ampla maioria, conhecer os estatutos e responsabilizar-se pelo cumprimento do mesmo, pagar uma taxa de um mil réis e mensalidades de trezentos e vinte réis.
Algumas particularidades da época nos chamam a atenção, como: todos os cantos a serem ensaiados deveriam ter o deferimento do presidente (Vigário). As assembléias eram mensais, sempre no primeiro domingo às quatorze horas. Os ensaios eram realizados a cada domingo uma hora antes da missa, nas assembléias gerais e cada quarta-feira antes da lua cheia, às dezenove horas.
Apesar do tempo que passou desde a fundação, das grandes guerras e a perseguição da língua alemã, a Sociedade conseguiu perseverar em bom estado os estatutos originais e muitas partituras em latim e alemão dos séculos XIX e XX. Entre os documentos antigos arquivados encontram-se as atas e o livro caixa da época da fundação.
Com o passar dos tempos, houve alterações no estatuto afim de adaptá-lo ao tempo presente, mas que tanto na filosofia quanto nos costumes, praticamente permaneceram inalterados até hoje. Podemos citar a eleição da nova diretoria a cada dois anos, a festa anual em novembro comemorando o dia da padroeira, a missa anual pelos sócios falecidos e a presença da bandeira e do Coral no cemitério quando do falecimento de um sócio. Atualmente a Sociedade oferece um churrasco ao associado no dia da festa de Santa Cecília. Antigamente era oferecido um café tipo colonial num dos hotéis da cidade ou no Colégio Santo Antônio no dia da comunhão geral.
Hoje, a Sociedade conta com aproximadamente quatrocentos e trinta sócios. Mantém um coral formado por cerca de vinte cantores, um organista e um regente, apresentando-se todos os primeiros domingos de cada mês na missa transmitida pelo rádio às dezenove horas, na Igreja Matriz de Estrela. Ocasionalmente participa de festivais e encontros de coros, festas e outros eventos.
Temos dificuldade para relacionar os primeiros regentes do coro, pois os documentos de que dispomos pouco ou quase nada podem nos contar. Sabemos que o professor Nicolau Mussnich foi um dos regentes, mas não sabemos as datas de início de sua passagem pelo Coral. Deduzimos que sendo professor, músico, sócio fundador da Sociedade, pela quantidade de partituras por ele trabalhadas, deve ter sido um dos primeiros regentes e deve ter permanecido até o fim de sua vida (30/09/1909).
Texto: Sr. Leônidas Erthal, professor de história e sócio da Sociedade Santa Cecília de Estrela.
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| FONTE: Márcio Buzatto |
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